terça-feira, 12 de novembro de 2013

Simples Alegria


Hoje eu enfrentei, como há muito não enfrentava, o centro da cidade. Tudo tão movimentado, milhares de pessoas indo de um lado a outro e... nada! Como sempre, nada. Levei um tempo (pra variar) observando cada uma delas que passavam por mim (pensaram que eu era meio maluca mas, tudo bem!) e eu achei incrível como nenhuma, simplesmente NENHUMA pessoa despertou qualquer coisa em mim! Nada. Nulo. Neutro. Isso sempre me ocorre quando paro para reparar algumas pessoas. Não sei ao certo se sou exigente em buscar algo que a maioria delas não têm ou se, o “algo” realmente é uma coisa para poucos. Muito poucos. Isso tudo que falo, claro, independe da beleza ou da forma como estão vestidas. Não têm mesmo nada a ver.
Quando então eu voltava pra casa, nesse dia que, admito, chato e sem sabor, um homem (vendedor de balas) entra no ônibus e anuncia sorrindo o seu produto. Ouço poucas palavras, pois eu estava entretida demais no meu fone de ouvido e com o “nada” que eu insistia em ver pela janela. Mas o seu barulho se fez ouvir, sua alegria. Nesse dia em especial, eu estava para pouquíssimos amigos e, triste, ate temi que ele viesse conversar comigo e insistir para que eu comprasse suas balas já que era exatamente o que estava fazendo com os demais passageiros. Eu ignorei. Estava mesmo para poucos amigos. Mas as outras pessoas no ônibus não o ignoraram (pra meu desencargo de consciência) e todas sorriam e ele falava alto, vendia seu peixe e contava casos, aparentemente engraçados (eu estava de fone, lembra? É, eu não tirei).
Eu o vi descer do transporte, se despedir das pessoas e ele, parece até que sabia, não me incomodou. Como eu disse, eu estava num daqueles dias onde se sente que a vida arranca-nos uma perna. Mas eu o vi descer, todo alegre, acenando para as pessoas e sorrindo todo feliz. Danei a me perguntar: “como pode uma pessoa que não tenha uma vida fácil ser feliz?”
Eu estava tão infeliz naquele momento que, eu só queria entender. A vida dele não era mole, se vestia simplesmente e mesmo assim... sorria e mantinha o bom humor, energia, alto astral e uma nítida parceria com a vida. Aquela vontade toda de viver!
E quanto a mim? Passando por um momento de tristeza querendo, bem lá no fundo, ter a garra e a metade que seja, da alegria e da força daquele homem.

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